ENTREVISTA DE PEDRO GOYA PARA A REVISTA DANCE CLUB
1. Começaste bastante cedo a tua carreira de Dj/produtor, e já tocaste em vários cantos do globo. Dá a sensação que tudo aconteceu bastante rápido nesse processo de Setúbal para todo o mundo. Podes explicar-nos como tudo aconteceu?
. Realmente aconteceu tudo bastante depressa, não tirando de forma alguma o trabalho árduo e as escolhas de vida que fiz (que sempre foram ligadas à música). Quando uma pessoa sabe o que quer e se dedica anficadamente consegue sempre tirar algum proveito disso no futuro.
Como Dj lembro-me perfeitamente como tudo começou. Aos 14 anos "roubei" um deck de cassetes partido á minha irmã e meti a tocar em conjunto com uma outra aparelhagem que tinha no meu quarto de miudo na altura. Apercebi-me que por breves momentos as musicas se cruzavam e se tornavam numa só. Daí aprofundei o gosto pela mistura dos sons, comprei dois gira-discos e uma mesa de mistura.
Em relação à produção tudo aconteceu naturalmente. Quando já comprava discos, os tocava, misturava, tinha curiosidade em saber como era feito tudo aquilo que ouvia. Daí surgiu uma outra faceta que acabei por descobrir. Faceta que me elevou rapidamente ao patamar "internacional" (se é assim que o querem chamar), pois o trabalho que desenvolvia ganhava uma exposição muito maior não só a nível nacional, como a nível mundial.
2. Sempre tentaste dinamizar Setúbal, nota-se que tens mantido a persistência em tentar criar um movimento, no que diz respeito à oferta musical (o Manifesto é um bom exemplo). Olhando para o início deste século e comparando-o com aquilo que se passa em 2009, o que é que mudou em Setúbal e qual o contributo que sentes ter dado para essa mudança?
. De facto sempre tentei dinamizar a minha cidade, no que diz respeito à oferta musical e continuarei a tentar (o Manifesto foi um bom exemplo). Acaba por ser um trabalho muito difícil, desgastante e ingrato. Setúbal só tem dimensões de cidade, de espírito acaba por ser uma pequena aldeia. Não encontras muitas pessoas com um espírito aberto para coisas novas. O que interessa realmente é saber se está cheio e se há mulheres por perto.
Nestes 9 anos e com muita pena minha, penso que Setúbal se afundou literalmente, o que é triste, pois penso tratar-se de uma cidade com um grande potencial a todos os niveis e com muito bons artistas.
3. E como é que divides o teu tempo, por entre a gestão da tua carreira de Dj/produtor, da Tróia e da organização de eventos?
. Acabo por perder mais tempo ligado á faceta Dj/Produtor e editora, pois são coisas que só eu as posso fazer.
Em relaçao à Troia tenho a ajuda da Distribuidora e Webdesigners que acabam por fazer o trabalho "mais chato" (Contractos, pagamentos a artistas, promoção e artwork). A escolha dos artistas é feita por mim, as masterizações também, ou seja, tudo o que envolve "audio" tem que passar por mim primeiro.
A organização de eventos já envolve mais pessoal e muita troca de ideias.
Recentemente juntei-me e fundei a "Mesh Bookings / Manifesto Eventos" com pessoas que partilham da mesma visão musical que eu. Muito resumidamente, o objectivo passa por criar um culto musical/evento por todo o Portugal. Queremos que as pessoas vão ao encontro do evento não pelo dj "Y" mas sim pelo movimento.
Podes encontrar mais info aqui: www.myspace.com/meshbookings
4. A Tróia tem “dado a mão” a muitos novos valores nacionais da música electrónica nacional. Qual a tua visão da cena electrónica portuguesa actual, a nível de talento emergente? Queres destacar alguns nomes?
. É difícil os novos talentos emergirem neste momento. A música em si passou a ser secundária, ser dj virou moda. Quando vejo actores da televisão a "tocarem" por tudo o que é sitio, questiono-me se os artistas que considero emergentes davam bons actores para as telenovelas portuguesas.
Aparte disto acho que há bastantes bons valores. Gostaria de destacar os seguintes artistas nacionais que considero bons dj's ou produtores: - Eyptin Wholi, Calapez, Orson & Welles, Alkalino, Kaspar, Rogério Martins e d.O.t
5. Made To Measure é o teu álbum de estreia, certamente um desafio muito grande tendo em conta que até aqui só tinhas editado edições em formato single. Como é que surgiu a decisão de criares um álbum e como é partiste para este desafio?
. Surgiu naturalmente. Cheguei a um ponto em que me considerava suficientemente maduro musicalmente para apresentar o meu trabalho desta forma. Tentei descolar-me um pouco do produtor de "tracks" e ser mais versátil construindo musica de vários géneros.
6. Existem alguns temas no álbum em que sobressai uma estética mais orgânica, e também mais orquestral (pelo que conheço do teu trabalho, esta é uma vertente que nunca tinhas explorado). Como é que te sentiste na exploração deste novos caminhos? Foram experiências isoladas ou serão caminhos que pretendes continuar a percorrer?
. Faço música que sinto, seja ela orgânica, orquestral, techno, house ou deep. Tenho que sentir que passo uma mensagem. Senti-me bastante à vontade pois o meu "background" musical não se resume somente a House ou Techno. Ouço de tudo um pouco. Recolho influências de artistas como Michael Jackson, Quincy Jones, Jean Michel Jarre, Boards Of Canada, Kraftwerk, Giorgio Moroder (entre outros), que faz com que não estranhe esta mudança a nivel de produção, pois são elementos que sempre estiveram presentes na minha educação musical.Certamente serão caminhos que continuarei a percorrer.
7. A tour internacional do teu álbum tem já uma data para Tokyo. Para além desta actuação, está prevista a passagem por outras cidades fora de Portugal?
. Sim. A data que se encontra no meu myspace em Tokyo vai ser a última data da tour do álbum. Irei estar nas seguintes cidades a promover o meu trabalho a partir de Janeiro - Barcelona, Londres, Laussane, Bruxelas, Kiev, Bucharest, Moscovo, St. Petersburg, Khabarovsk e Tokyo
8. Aos 25 anos, és um nome reconhecido mundialmente, tens já um álbum editado, uma label e actuas regularmente em diferentes capitais mundiais. O que é que sentes que ainda te falta conquistar?
. Aos 25 anos não me posso esquecer de que a vida passa a correr (ainda ontem tinha 18!), não podendo de maneira alguma viver neste meio a pensar que já conquistei muita coisa. Nada é garantido e a vida de músico/artista é difícil. Gosto de trabalhar a olhar para o que um dia poderei ser e não o que um dia fui.
Links
www.pedrogoya.com
www.myspace.com/troiarecordings















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